Ana Cristina Correia de Sousa – Diana Felícia Pinto

      

Título de la comunicación / Titulo da comunicação
As “catedrais de joias artísticas” –  fachadas de Ourivesarias no Porto e a sua relação com o espaço urbano

Resumen / Resumo
Aberta em 1518, a Rua das Flores concretizou uma ligação importante à quota alta, estendendo para norte uma cidade inicialmente ribeirinha. Entendida desde logo como a mais nobre e principal rua da cidade, nela se reuniram, nos séculos subsequentes, emblemáticas e ricas lojas de fazendas de lã e seda (…)1, todo o género de mercearias, porcelanas, lojas de ourives de ouro e de prata1, tal como a descreve o Pe. Rebelo da Costa, em finais do século XVIII. Este fenómeno acentuou-se na centúria de Oitocentos, relatando-nos Alberto Pimentel que os ourives eram tantos (…) desde a Igreja da Misericórdia até à volta para a Feira de S. Bento [Praça Almeida Garrett], que raras faziam exceção à ourivesaria2, o que lhe valeu também a designação de rua do Ouro.

Apesar de ter perdido muito deste esplendor, é possível encontrar marcas de permanência desta realidade na cidade, eternizadas pelas fachadas ricamente ornamentadas das mais significativas ourivesarias do tempo, como é o caso das Ourivesarias Aliança, Moura, Miranda e Filhos, Cunha Sobrinho, Leitão e Irmão, Reis e Filhos, entre muitas outras. Neste sentido, o escopo desta comunicação residirá na análise do eixo urbano determinado pelas ruas das Flores, Santo António e Santa Catarina. Tomando como objeto de estudo as fachadas destas ourivesarias, procederemos a uma leitura urbana do referido eixo, procurando compreender de que forma estas lojas trabalharam a sua relação com a rua, funcionando a fachada como polo de atração do olhar do transeunte/possível comprador, retendo-lhe a atenção e convidando-o a entrar.

1. TEIXEIRA, Gabriella de Barbosa; LACERDA, Silvestre – Quem construiu Tebas? Os Construtores da Cidade. Porto: CRAT, 2001.

2. PIMENTEL, Alberto – O Arco Vandoma. Porto, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1945, p. 85, Apud. FERNANDES, José A. Rio – Rua das Flores – a ‘Rua do Ouro Portuense’, in ‘O Tripeiro’, 7.ª Série, Ano XIII, n.º 2 – Fevereiro de 1994.

Currículum vitae
Ana Cristina Sousa (accsousa@letras.up.pt) é Professora Auxiliar na Faculdade de Letras do Porto, Departamento de Ciências e Técnicas do Património – área científica de História da Arte. Licenciada em História (Var. Arte) pela FLUP (1992), Mestre em História da Arte (1997) e Doutora em História da Arte Portuguesa (2010) pela Faculdade de Letras do Porto, com uma tese subordinada ao estudo dos metais em Portugal, nos séculos XV-XVI. Investigadora do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”), da FLUP. É autora de publicações relacionadas com a arte dos metais (técnicas e formas), ourivesaria medieval e moderna e iconografia.

Diana Felícia (diana.felicia.pinto@gmail.com) é licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Mestranda em História da Arte Património e Cultura Visual, na mesma Faculdade. Encontra-se atualmente a desenvolver investigação sobre a antiga Fábrica de Fundição de Sinos em Rio Tinto, em contexto do Estágio na Câmara Municipal de Gondomar. Integra a equipa de investigação e preparação da Candidatura da Filigrana de Gondomar a Património Cultural Imaterial (Inventário Nacional).