Hugo Daniel da Silva Barreira

Título de la comunicación / Titulo da comunicação
Pay no attention to man behind the curtain! O papel da fachada nas arquiteturas do cinema

Resumen / Resumo
Com esta comunicação pretendemos refletir sobre a importância da fachada nas arquiteturas do cinema num duplo sentido. Em primeiro lugar, nas construções de cenários para cinema, a fachada é a garantia da ilusão, devendo permitir ao observador imaginar o espaço que existe para além dela, quando aquele não existe ou não tem uma lógica arquitetónica direta, podendo ser construído num outro estúdio. O mesmo se passa com as fachadas que as equipas aproveitam do espaço real, através de filmagens de exteriores que são posteriormente combinadas com espaços construídos em estúdio. A fachada construída fornece assim um sentido ilusório para um espaço inexistente ou severamente fragmentado e, no caso da fachada real, a contextualização para um espaço recriado de acordo com uma lógica fílmica, reforçada pelas leis de continuidade da narrativa.

Num segundo sentido, e como corolário do primeiro olhar, salienta-se a sua importância para compreender o papel do cinema como registo das arquiteturas e do espaço urbano, através da desconstrução do caráter ilusionista das suas imagens e dos mecanismos que asseguram a coerência das mesmas na narrativa.

Entre outros exemplos, analisaremos o espaço construído em filmes como Rear Window (1954) realizado por Alfred Hitchcock, onde todo um quarteirão é definido pelas suas fachadas, sendo o seu espaço consolidado pela sua acústica, ou The Alamo (1960), realizado por John Wayne, onde a réplica do aglomerado da missão espanhola, com a emblemática fachada seiscentista da sua igreja, foi atração turística e cenário de muitos outros filmes, apresentando uma coerência espacial pouco habitual na aquitetura fílmica.

A fachada é, assim, a “quarta parede” e, tal como na advertência no Feiticeiro, em The Wizard of Oz (Victor Fleming, 1939), o público não pode espreitar para lá da cortina porque no espaço real existe, em muitos casos, apenas um espaço (câmara, estúdio, estaleiro) sem magia.

Currículum vitae
Hugo Barreira (hbarreira@gmail.com) e Licenciado em História da Arte (2010), Mestre e Doutor em História da Arte Portuguesa (2013 e 2017) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde desenvolve a sua atividade como docente. Investigador do CITCEM. Desenvolve investigação sobre a imagem em movimento e sobre a sua utilização como recurso para os estudos do património, bem como sobre a história da arte, a cultura visual e a história da arquitetura da época contemporânea, tendo desenvolvido diversos trabalhos nesta área.