José C.V. Quintão

Título de la comunicación / Titulo da comunicação
Ordenar o desordenado

Resumen / Resumo
No século XVIII, a cidade do Porto vê o seu tecido urbano a passar por grandes transformações urbanísticas, muito por iniciativa do Marquês de Pombal.

Abrem-se ruas novas e algumas das já existentes irão ter projectos desenhando as suas frentes. Muitos destes projectos mostram desenhos de edifícios diferenciados, mas, contudo, estabelecendo relações de equidade. Também há propostas de outras composições estabelecendo pontos fulcrais de subordinação arquitectónica, como se se tratasse de um edifício único ocupando a frente da rua, normalmente enfatizando o centro.

Este tipo de atitude seria facilmente resolúvel se não houvesse um cadastro urbano prévio com diferentes larguras de lotes. Nestes casos, de diferença de parcelas, o problema da composição da frente da rua tornava-se muito delicado, quase sendo impossível estabelecer-se uma harmonia entre as diversas frentes que o cadastro determinava.

Neste caso específico estava o cadastro das propriedades do lote de terreno que perfaz o lado sul da Calçada dos Clérigos, ou seja, a rua de pendente acentuada que sobe desde a Praça do Município até à igreja dos Clérigos.

A importância desta rua era enorme como ainda hoje é, sendo uma das ruas de referência do Porto. Com origem na mesma praça, mas em sentido contrário, abria-se a rua de Santo António, de ligação à Igreja de Santo Ildefonso. As duas ruas, em continuidade, quase perfazem uma linha recta, não fosse o ângulo extremamente obtuso que as duas estabelecem na referida Praça. Mesmo assim, criou-se um eixo barroco de 600 metros de comprimento, com dois fundamentos arquitecónicos: a torre dos Clérigos e o obelisco na plataforma da escadaria frente à igreja de Santo Ildefonso.

Contornando a disparidade das medidas dos lotes da Rua dos Clérigos, veremos como o engenho do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado conseguiu conciliar o inconciliável, através somente de duas tipologias.

Currículum vitae
José Quintão é Professor Jubilado da Faculdade de Arquitectura e Emérito da Universidade do Porto. Diplomado pela ESBAP – Escola Superior de Belas Artes do Porto – 1970. Tese de Doutoramento: “Fachadas de Igrejas Portuguesas de Referente Clássico – Uma Sistematização Classificativa” . FAUP Edições, 2005.

FAUP – PORTO
Vogal do Conselho Directivo da Escola Superior de Belas Artes do Porto (1 ano)
Director dos Serviços de Apoio Académico (7 anos)
Membro do Conselho Científico (5 anos)

Docência:
Iniciação ao Projecto (co-regente – 8 anos) – 1º ano curricular
Teoria de Arquitectura II (co-regente – 1 ano) – 3º ano curricular
História de Arquitectura Moderna (regente – 2 anos) – 3º ano curricular
Teoria de Arquitectura Contemporânea (regente – 1 ano) – 3º ano curricular
História de Arquitectura Portuguesa (assistente – 8 anos; co-regente – 2 anos; regente – 2 anos) – 4º ano curricular
História de Arquitectura Moderna (regente – 2 anos) -3º ano curricular
Classicismo e Tectónica (regente – 2 anos) PDA (Programa de Doutoramento em Arquitectura)
Análise Arquitectural (regente – 2 anos) – PDA (Programa de Doutoramento em Arquitectura)

FCTUC – Departamento de Arquitectura – Coimbra
Históra de Aquitectura Antiga e Medieval (regente – 1 ano) – 2º ano curricular
História de Arquitectura Moderna (regente – 1 ano) – 3º ano curricular

Comissário do Seminário e Mesa-Redonda ‘O Porto após o Terramoto de Lisboa, de 1755’, organizado pelo IRICUP, Reitoria da U.P., 2 Novembro de 2005.

Coordenador Científico para os Cursos de Verão – 2006 – da A.U.R.N. – associação das Universidades da Região Norte, ao abrigo do que se deslocou ao Brasil para as seguintes palestras:
“Intervenções em Sítios Históricos: a experiência da Cidade do Porto/Portugal”, no I Encontro de Desenho Urbano “redesenhando a cidade”, em Maceió, Alagoas, Brasil, a 24 de Março de 2006.
“Uma obra-prima do Maneirismo Novecentista Português”, na Faculdade Federal de Arquitectura da Baía, São Salvador, Baía, Brasil, a 29 de Março de 2006.