Liliana Andrade de Matos e Castilho

Título de la comunicación / Titulo da comunicação
As fachadas das casas de habitação enquanto elementos definidores da facis da cidade: a cidade de Viseu nos séculos XVI a XVIII

Resumen / Resumo
Sob a ampla designação de casas de habitação e abarcando, para a cidade de Viseu, um período que medeia entre o início do século XVI e o final do século XVIII, são tão diversas as realidades a analisar quão díspares os seus agentes e mundividências. A materialidade da casa é, em última análise, sempre o reflexo da realidade social e do quadro mental de quem a habita e a fachada a sua pública manifestação.

Para efeitos de sistematização optámos por dividir a temática em dois blocos: Casa Nobre e Casa Corrente, no entanto, esta divisão artificial é útil apenas em termos organizativos e esbarra, no terreno material e documental, com as fronteiras ténues do real.

Ainda que o termo Casa Nobre possa abarcar um conjunto mais vasto ou restrito de habitações, de acordo com a interpretação que se faça do mesmo, para o nosso estudo, cabem sob esta designação não só os edifícios pertença e encomenda de famílias nobres, mas de igual modo os edifícios que pelas suas dimensões e qualidade da sua fábrica se distingam da massa anónima da habitação corrente.  Em termos formais caracterizam-se pelo tamanho superior do lote que ocupam e pela criação de longas fachadas não só funcionais, mas igualmente decorativas e simbólicas na sua afirmação de poder familiar.

A designação Casa Corrente pretende agrupar, sob uma mesma denominação, realidades habitacionais sem dúvida diversas, mas que escapam, em última análise, ao universo da Casa Nobre. A sua força expressiva, na definição da facis da cidade, prende-se, não com a singularidade morfológica dos seus alçados, mas com o seu carácter repetitivo. Não constituindo elementos singulares e marcantes na paisagem urbana compõem pela sua maioria numérica essa mesma paisagem.  Local de residência, mas muitas vezes, também de exercício de uma atividade comercial, caracteriza-se formalmente pelas suas menores dimensões, em termos de implantação no terreno e em termos globais, maior expressão em altura, e pela precaridade dos seus materiais de construção e maior simplicidade, quando não ausência, de elementos decorativos nas fachadas.

Entender a habitação é assim entender o Homem enquanto agente criador e definidor, não só do seu universo particular, mas também, pela soma das contribuições individuais e muitas vezes anónimas, da cidade e da sua facis.

Currículum vitae
Liliana Castilho (Licastilho@sapo.pt) é Doutora em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Investigadora integrada do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”, Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Trabalhou no Instituto Português do Património Arquitetónico (Direção Regional do Porto) e prestou serviços de consultoria, no âmbito histórico e patrimonial a diversas Instituições públicas e privadas.