Lúcia Maria Cardoso Rosas

Título de la comunicación / Titulo da comunicação
A fachada na arquitetura vernacular: composição, mimetização e negação da ruralidade

Resumen / Resumo
A arquitetura vernacular exerce hoje um grande fascínio. Desperta sentimentos de nostalgia de um mundo em desaparecimento onde os valores de identidade, autenticidade, veracidade e tradição, bem como a mitificação de um equilíbrio entre o homem e a natureza, se projetam e procuram.

As alterações demográficas no mundo rural, já patentes na década de 1960, são hoje muito mais notórias. A desertificação do campo e a alteração profunda da matriz em que assentava a economia rural, obrigam a uma alteração do paradigma de análise da arquitetura vernacular.

Foi sobretudo a partir dos meados do século XX que os materiais tradicionais locais foram sendo substituídos por outros produzidos industrialmente. Se “numa primeira fase estes novos materiais permitiam tornar mais económica a construção, sem que aparentemente as formas tradicionais viessem a ser significativamente subvertidas, em breve as propriedades físicas desses materiais e a sua lógica dimensional acabaram por se impor e por influenciar as formas e as proporções das casas, dando origem a novas tipologias arquitectónicas que se foram generalizando” (Teixeira 2013).

As novas construções populares, “sobretudo em meio rural, tendem ainda a ser consideradas como agressões estéticas por muitos arquitetos que se têm interessado, sobretudo, nos seus inquéritos sobre o habitat popular, pelo equilíbrio entre a natureza, os homens e as formas do edificado das sociedades pré-industriais”. (Raposo 2016).

Esta comunicação pretende abordar a composição das fachadas da arquitetura vernacular anteriormente à disrupção do mundo rural, as formas híbridas e sujas que a foram contaminando e a sua transformação no presente, que oscila entre o mimetismo, a negação da ruralidade e a manutenção da sua composição original.

Currículum vitae
Lúcia Rosas (lrosas@letras.up.pt) é Professora Catedrática (Departmento de Ciências e Técnicas do Património/FLUP). Coordenadora do Grupo de Investigação Património Material e Imaterial do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória»).

Investigação: História da Arte e Arquitetura Medieval (espaço e liturgia, estudos da imagem), Estudos de Património.

Equipa da candidatura do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial (2000); Coordenadora da investigação e publicação da Rota do Românico (2006/2007), (2011/2012), (2018/2020).

Algumas publicações:
– Rosas, L. (2019), “Schemes and marginal elements in Romanesque sculpture” The Centre as Margin. Eccentric Perspectives on Art, Vernon Press, pp. 115-132.
– Rosas, L. (2018), “Património vernacular do Alto Douro Vinhateiro: valores, usos e transformação.” Douro interior/exterior: arte e imagem: atas das 5as Conferências do Museu de Lamego /CITCEM, pp. 13-26;
– Rosas, L., Botelho, Leonor, Barreira, Hugo (2018), “Designing the Sabrosa Landscape and Heritage exhibition at the Google Arts & Culture: challenges and results”, Cities in the digital age: exploring past, present and future = Cidades na Era Digital: explorando passado, presente e future, CITCEM;
– Rosas, L. (2015), Architecture and Identity, Catalonia and Portugal. The Iberian Peninsula from the Periphery (pp. 205-222). Peter Lang AG, International Academic Publishers, Bern.