Nuno Miguel de Resende Jorge Mendes

Título de la comunicación / Titulo da comunicação
Da rua vê-se a casa mas não se vê a rua:  espaços públicos e modos de ver a cidade do Porto no século XVIII

Resumen / Resumo
Através do memorialismo local, cruzado com as vistas urbanas e cartografia, pretendemos questionar a importância da rua como «lugar estético» e enquanto património da cidade do Porto no século XVIII – tempo em que se definem ou redefinem ambos os conceitos, estética e património. Lugar de todos e de ninguém, a rua, a estrada e os caminhos têm sido arredados das leituras historiográficas sobre a paisagem, como alertou John Brinckerhoff Jackson. Sendo a habitação a principal referência do urbanismo portuense, entrecortado por edifícios de maior volumetria ou escala ligados às instituições da cidade (e destas constituindo claros pontos de referência visual), qual seria a contribuição das ruas, das vielas, dos caminhos – em suma dos espaços públicos de circulação -, para a ideia estética do espaço, definida esta como a apreciação, gosto ou percepção ou interpretação dos indivíduos sobre a beleza da sua comunidade. Trazendo à colação as contribuições do citado John Brinckerhoff Jackson, de Cesare de Ceta e Gordon Cullen, sobre iconografia, vedutismo e estética urbana, tentaremos sistematizar alguns contributos para a apresentação e discussão desta temáticas, tendo como pano de fundo a cidade do Porto em setecentos.

Currículum vitae
Nuno Resende (nmendes@letras.up.pt) (Cinfães, 1978) é professor auxiliar, com nomeação definitiva, no Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Doutor em História de Arte Portuguesa (d. 2102), mestre em Estudos Locais e Regionais (2005) pela Universidade do Porto e licenciado em História (2001) pela Universidade do Minho. Tem investigado nas áreas de História da Arte (época Moderna e História da Fotografia), História das Populações e Micro-História, Paisagem e Território (estudos hodográficos). Coordenou a 2.ª fase de inventário do património religioso móvel na Diocese de Lamego (2005-2007), foi editor científico e coautor na obra «O Compasso da Terra: a arte enquanto caminho para Deus» (2006), autor de «Vínculos Quebrantáveis» (edição da sua dissertação de mestrado) (2012) – e de vários trabalhos e artigos nas áreas acima referidas, e outras, nomeadamente a tese de doutoramento, intitulada: «Fervor & Devoção» Património, culto e espiritualidade nas ermidas de Montemuro (séculos XVI a XVIII), apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 2012.